A AEP

A Associação dos Escoteiros de Portugal (A.E.P.) da qual o nosso Grupo faz parte, é a mais antiga Associação Escotista Portuguesa. Foi fundada a 6 de Setembro de 1913 pela mão do Tenente Álvaro de Mello Machado (fundador do primeiro grupo de escoteiros português em Macau e co-fundador do 2º Grupo de escoteiros de Lisboa), o Doutor Sá de Oliveira (Reitor do Liceu Pedro Nunes e responsável pelo 3º Grupo de escoteiros de Lisboa), e Roberto Moreton (Presidente da ACM e co-fundador do 1º Grupo de escoteiros de Lisboa). Estas três personalidades foram as responsáveis pela abertura dos primeiros três Grupos de Lisboa. Desde então já muitos Grupos se filiaram na A.E.P. por todo o país, ilhas incluídas.
Em Junho de 1916 há um reconhecimento formal do Governo Português em relação à A.E.P., quando o Dr. Bernardino Machado, na altura Presidente da República, aceita a presidência honorária da A.E.P. No ano seguinte, o decreto 3120-B consigna que “esta Associação é considerada Benemérita e de Beneficência para os efeitos de contribuições, impostos e franquia postal”.
O primeiro acampamento nacional realiza-se em Queluz e começa a 13 de Agosto de 1927. Conta com a presença de grupos de escoteiros de Lisboa, Porto, Coimbra, Figueira da Foz, Algarve, Oliveira de Azeméis, Seixal, Torres Vedras e Torres Novas.
O fundador do Escotismo visitou por duas vezes o nosso país e a A.E.P. participou activamente na sua recepção. A primeira visita foi em 1929 e a segunda visita foi em 1934, sendo que nesta última visita estiveram presentes cerca de 700 escoteiros.
A 2 de Junho de 1934 a A.E.P. é agraciada com a Ordem de Benemerência pelo Governo de Portugal.
Com a criação da Mocidade Portuguesa em 1936 e as políticas do Estado Novo a A.E.P passou a ser perseguida. Tendo um carácter pacífico e treinando os jovens para que pensassem por si mesmos, a A.E.P. não se enquadrava no espírito incentivado pelo então Governo. Em 1939 é publicado um decreto que extingue todos os Grupos de Escoteiros do Ultramar, e o seu material e sedes são confiscados e entregues à Mocidade Portuguesa. Um decreto idêntico para o continente e ilhas chegou a ser redigido mas nunca chegou a ser publicado. Em 1942 o Governo assume a sua hostilidade para com a A.E.P. que sobrevive com grande dificuldade. Durante este mesmo período, a outra associação escotista de Portugal – o Corpo Nacional de Escutas - que em 1939 quase não tem expressão, cresce com a protecção da Igreja.
Quando chega a revolução de Abril, a A.E.P. vê-se numa situação precária, com muito poucos dirigentes e elementos, enquanto o CNE está espalhado por quase todo o pais e com centenas de associados. Na década de 80 inicia-se um processo de renovação e formação na nossa Associação, que conta com a abertura de novos Grupos.
Desde 2001 a A.E.P ganhou um novo folego e tem sabido renovar-se e fortalecer-se, tirando partido de uma geração de dirigentes motivados e dedicados. No passado mês de Setembro celebrámos 100 anos de uma vida dedicada à formação dos jovens e melhoria da sociedade.
Parabéns a todos nós!